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  • Marcelo Pereira

Samba em Berlim - parte ll

Atualizado: Mai 11

Continuando a postagem dos 75 anos do fim da segunda guerra mundial, traçamos aqui uma linha sobre o surgimento da mistura de cachaça e coca-cola, e outras influências que esta guerra teve sobre nosso consumo e vidas, para acompanhar a parte I é só clicar aqui.



É possível encontrar na internet músicas gravadas pelo pracinhas

Luiz de Barros e o Cinema Nacional


Luiz de Barros (1893-1982) era diretor, ator, roteirista, produtor. Lulu Barros como era conhecido possuí  a maior filmografia do cinema nacional, na década de 40 gravou muitos filmes dois deles com relações diretas ou indiretas com a segunda guerra mundial.

O primeiro filme é uma comédia musical, datado de 1943, chamado Samba em Berlim, estrelado por Dercy Gonçalves. No ano de 1944 foi lançado Berlim na Batucada, uma chanchada, como era conhecido na época os filmes de comédia musical com caráter popular e um humor ingênuo, o filme também contou com a participação de Grande Otelo.

Berlim na Batucada faz uma conexão subentendida da vinda de Orson Welles no Brasil com título alusivo a segunda guerra mas pouco é comentado sobre isso ao decorrer do filme. 

Segundo o livro Cinema Carioca dos anos 30 e 40: Os filmes musicais nas telas da cidade, escrito por Suzane Cristina de Souza Ferreira em 2003, esses dois filmes exploram tanto a II guerra mundial quanto a política da boa vizinhança do Presidente Rooselvet.

Esta foi muito mais que umas estratégia contras as forças do Eixo. Era também a estratégia de conquista do mercado latino-americano.



Cartaz do filme de 1943

Orson Welles


Welles é muito conhecido pelo clássico Cidadão Kane (1941) e também por levar ao ar em 1938 uma versão radiofônica de "Guerra dos Mundos", uma história sobre invasão extraterrestre, naquele tempo a população achou mesmo que estava sendo atacada  por alienígenas. 

Orson Welles (1915-1985), Ator, diretor e roteirista. A história dele com o Brasil se inicia quando a convite do governo dos Estados Unidos, aqui de novo as práticas da política da boa vizinhança aparecendo, Welles é contrato para filmar e mostrar as belezas que os países do continente americano possuíam, com sua chegada em 1942 e com filmagens conturbadas o filme não foi finalizado e estourou muito o orçamento proposto inicialmente.


Em uma reportagem da folha conta que ele aproveitou muito o carnaval do Rio de Janeiro com lança perfume e muita bebida (para acessar a matéria completa basta clicar na foto).


Orson iria participar do filme interpretando ele mesmo, narrando as histórias que ocorreriam no México, Brasil, Peru ou sobre a origem do jazz o filme se chamaria It's All True (É tudo verdade, na versão em português) em 1993 foi lançada uma edição documentário do filme chamada It's All True - Um filme inacabado de Orson Welles.



Orson ao centro curtindo o bailinho de carnaval em 1942

Tá, mas e a mistura de Cachaça e Coca-cola?

Não é enrolação, é contextualização, então com todas essas informações é possível afirmar que a Coca-cola somente chegou ao Brasil quando o Estados Unidos entrou na guerra.

Com os E.U.A. atrás de material que a guerra demandava (Brasil ajudou muito com borracha por exemplo) e a busca por países para se juntar aos Aliados, somando as políticas de boa vizinhança de Rooselvet, muito bem executadas por sinal, embarcamos na guerra ao lado dos Aliados graças aos estado-unidenses. 


Orson Welles é creditado por seus bibliógrafos, Simon Callow e Catherine L. Benamou por ser uma das primeiras pessoas a trazer Coca-cola para o Brasil e mais do que isso misturar cachaça com Coca-cola, Welles gostava de tomar deste jeito sua cachaça. Catherine afirma em seu livro "It's All True: Orson Welles's Pan American Odyssey" que Welles nomeou a mistura de Samba em Berlim e que posteriormente Luiz de Barros inspirou-se para dar nome a sua chanchada, durante suas filmagens no Rio de Janeiro era possível encontrar Orson tomando Samba em Berlim no famoso Cassino da Urca onde dizem que Grande Otelo apresentou a cachaça para Welles.

Adicionar cachaça em um copo de Coca-Cola era algo que se tornou muito natural, um exemplo que a diplomacia uniu, nós enxergávamos naquele contexto os E.U.A. como amigos, de fato o copo com esses dois líquidos pode representar a união destas duas culturas, mais do que isso mostrar uma união contra o fascismo eminente daquele tempo.


Outra versão diz que os Pracinhas já tomavam Samba em Berlim por conta dos abastecimentos de Coca-cola dos estado-unidenses, e quando chegou aqui a mistura só ficou conhecida como samba, mas nas pesquisas que fiz não encontrei nenhuma evidência deste tipo de consumo, mas é possível ter acontecido sem nenhum documento ou registro, mas as relações entre as tropas não eram das melhores, entre o próprio exército dos E.U.A. existia uma tensão racial muito forte, para muitos historiadores a F.E.B. era vista como inferior, pois tinha menos experiência de guerra, o que dificultaria a interação, mas provou ao contrário depois de prender milhares de nazistas em uma longa batalha no Monte Castelo. Bom se você chegou até aqui depois ter acompanhado toda a primeira parte, tem como recompensa a receita desta mistura, mas com certeza você já sabe, então não tem recompensa? tem sim o conhecimento.



Receita


Ingredientes

  • 50 ml Cachaça de Alambique (aconselho envelhecida em bálsamo)

  • 15 ml sumo limão Taiti (opcional)

  • 120 ml Coca-cola 

Preparo

Em um copo longo, adicione bastante gelo, adicione a cachaça o limão, misture bem, complete com coca-cola, decore com limão cortado em cunha.


Em um livreto de receitas da Pirelli de 1977 ainda é possível encontrar um drinque chamado Rio Samba que contém os mesmo ingredientes.


Lembrar nossa história na coquetelaria e mostrar que sempre devemos lutar contra o fascismo foi o objetivo desta postagem. 


Você já conhecia a história deste drinque? Rio Samba, Samba ou Samba em Berlim é com certeza um drinque que merece ser lembrado. 

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