• Marcelo Pereira

Como percebemos uma bebida?

Quais as percepções sobre uma bebida?  Qual percepção se sobressai sobre outra? O quanto é uma percepção individual? O quanto é parecer técnico? O que é bom? O que é ruim?



A resposta para todas essas perguntas é bem extensa, mas o fato é que quando gostamos de algo tem muito mais sobre nossa cultura e sentimento no sabor do que imaginamos.


O doce é muito bem aceito no geral, mas isso é uma questão mais fisiológica e evolutiva pois nosso corpo ainda é primitivo e no dulçor o cérebro entende como contendo muitas calorias, algo que precisamos guardar no nosso metabolismo caso houvesse uma caçada ou fugir de algum predador. Diferente do amargo que está muito mais relacionado com veneno do que a um alimento nutritivo, por isso muitas crianças odeiam a maioria dos vegetais, o corpo delas está se defendendo.




Uma breve  explicação de como percebemos a bebida e dos sentidos usados.


Audição: Um espumante sendo aberto pode ser ouvido em todo ambiente, por mais que especialistas defendam que junto com esse barulho há bastante perda de uma das principais características do espumante o gás e junto dele também se perde aroma, mas se você está no ambiente e ouve esse som característico da rolha saindo da garrafa, saiba que alguém está abrindo errado o espumante além disso o seu interesse aumenta ou diminui depende se você gosta da bebida ou não, isto também acontece com o barulho da coqueteleira batendo ou do mixing glass mexendo, ou até algo fritando em uma frigideira.


Consegue ouvir o gelo batendo na coqueteleira?

Visual: A primeira impressão é a que fica, verificar coloração, se há partículas suspensas na bebida, se aquelas suspensões deveriam estar ali ou não, com o repertório que desenvolvemos experimentando bebidas diferentes conseguimos identificar muitas vezes algo diferente em uma bebida somente no olhar.

Olfato: Percebido pelas narinas onde temos mais de 20 milhões de células sensoriais com

capacidade de distinguir os mais diferentes cheiros. O olfato, como a visão, possui uma enorme capacidade adaptativa. No início da exposição a um odor muito forte, a sensação pode ser bastante forte também, mas, após um minuto, aproximadamente, o odor será quase imperceptível.


Tato: Na china o país de origem do chá, umas das bebidas mais antigas do mundo, não se usa alça para beber a infusão mas sim um recipiente que é segurado com as duas mãos se puder ser segurado significa que a bebida está pronta para ser consumida sem queimar a boca. Mas o tato não resume-se somente as mãos, na boca também temos sensações táteis como quando descrevemos um sabor aveludado, cremoso ou macio.



Gosto: Na língua são encontradas papilas gustativas as papilas do tipo fungiforme são as que diferenciam os sabores além do palato (céu da boca) que também ajuda nesse processo de identificação dos gostos básicos, sal, azedo, amargo, doce e também o

umami (palavra de origem japonesa que significa apetitoso e delicioso) que é encontrada em cogumelos, queijo e tomate, mas somente com a ajuda do olfato que conseguimos sentir o gosto das bebidas e comidas o nariz sente cerca de 80% do gosto.

Por isso quando estamos gripados não conseguimos sentir o gosto de nada.

Memória Afetiva: Quando pensamos no lado emocional nessas percepções também englobamos um fator cultural pois dependendo de onde a pessoa tenha nascido os hábitos alimentares serão muito distintos, uma criança mexicana gostará muito mais de um abacate com sal do que com açúcar, consequentemente um mexicano adulto também tende a ter este tipo de comportamento e se emocionar e lembrar da infância ou de seu país cada vez que comer guacamole, igual ao nosso sentimento nacional por arroz e feijão que remete a comida caseira que remete afeto e carinho, então quando bebemos ou comemos algo e sentimos um ‘abraço’ é nossa memória afetiva nos lembrando de tudo que experimentamos e vivemos. O premiado livro Flavour Bible publicado pela primeira vez em 2008 dos autores

Andrew Dornenburg, Karen A. Page, distingue como o X factor, que além da memória afetiva fala também da percepção espiritual, mental, emocional entre outros.




Sabor: Todas as percepções somadas nos levam ao sabor e como essas ferramentas nos ajudam a identificar distintos sabores no nosso dia-a-dia. O Flavour Bible ainda faz uma equação interessante do que o sabor seria: Sabor = Gosto + Sensação Na Boca + Aroma + O Fator X



Inspirado neste texto "Bom gosto não se discute?" da Carolina Oda escrevi este texto que você acabou de ler, espero que tenha gostado até a próxima.

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